ah, o passado!

Nós passamos ótimos momentos juntos, não vou negar. Ele foi tão ele mesmo que eu me assustei. Eu só conhecia o seu lado social, mesmo o conhecendo há tanto tempo. E do lado social quieto de camisa listrada ao lado intimista calça de moleton, chinelos e sarcasmo americano que eu tanto amo, foi um salto vertiginoso. Não me esforcei pra extrair o melhor dele e confesso não ter dado o melhor de mim. E agora estou aqui pensando no poder incrível que pode ter uma ligação despretensiosa (ou não!) no fim da noite, quando não se espera mais nada. Eu não sei o que causou a ligação, mas sei o que a ligação me causou. Eu já não queria, eu já não pensava, mas a memória (que nunca está a meu favor) não me deixou passar ilesa por aquele gesto estranho. E a pergunta da semana é: POR QUE ALGO QUE PODERIA SER PERFEITO, QUE DE TÃO LOUCO PARECIA TÃO CERTO, FOI DAR TÃO ERRADO? – pensando bem, era algo muito improvável...

Esta pergunta não me tira o sono, mas tem milhões de variáveis, mais até do que os rolos, casos e olhares que eu tive desde então. As vezes as explicações que eu invento para tudo aquilo me bastam. Mas quase nunca elas bastam por muito tempo e eu invento sempre novas, principalmente quando ele me olha e finge que não vê, principalmente quando tudo o que eu preciso é ficar em casa comendo esfihas e assistindo um filme que eu já vi umas mil vezes. Nem é como namorado que ele me faz falta (mas eu ainda guardo comigo aquele beijo tímido que ele tem), é mais aquele abraço gostoso, aquele calor do meu lado direito, as conversas sem noção de madrugada, o celular que não parava de tocar... eu sinto falta da falsa sensação de estar sendo protegida por aquele tamanho todo e da certeza constante de que eu precisava poupa-lo e protege-lo com a minha experiência. Acho que o que incomoda é saber que as coisas nunca mais serão iguais e que o Renato Russo estava certo quando dizia que “a primeira vez é sempre a última chance”.

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